segunda-feira, 13 de julho de 2026
Se meu avô vier me buscar, eu vou
Hoje é um dia que eu queria morrer. Tenho tido muitos dias assim, não sei bem quando começou. Sinto uma solidão que é como um buraco se abrindo e ninguém pra me salvar, ninguém nem pra perguntar "Oi, tudo bem aí?". E eu tenho sentido falta do meu avô. Eu sinto falta do meu avô ha 15 anos, mas ultimamente eu tenho sentido mais... eu tenho sonhado com o abraço e o colo, e o carinho sem perguntas, e a sensação de que ali eu tinha alguém que ia resolver tudo que eu precisasse. Eu tenho um vazio dentro de mim que quase resolve, e eu tenho atribuído ao frio... tem feito mto frio, o Dani tem trabalhado mais, e eu sinto ele se afastando e ao mesmo tempo em que dói ver ele se afastando eu queria profundamente que ele fosse embora de uma vez pra eu testar se a dor é de estar sozinha ou se a dor é de não ter ninguém mesmo tendo alguém. Eu tenho lido muito e os livros tem sido o mais perto de um abraço do meu avô que eu tenho encontrado... tenho tentado manter a casa em ordem, tenho tentado deixar tudo limpo e cheiroso porque traz algum quentinho de paz também. E eu tenho querido escrever, pra ver se escrever me faz chorar tudo de uma vez - ou não. Mas eu não sei escrever, assim como não sei cantar. E ficam só esses sentimentos rodando dentro de mim sem encontrar lugar pra sair. Não sei a solução pra nenhum desses problemas. Nem pro buraco, nem pra saudade do meu avô, nem pra minha incapacidade de deixar os sentimentos saírem.
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Hoje vim escrever uma carta pra mim. To em algum processo de desapego, meio tentando tudo que vem pela frente. Sei que tô inerte. Não consigo organizar nada direito, não consigo trabalhar, só faço coisas no automático e sinto que preciso mudar MUITO isso. Estou buscando formas. E hoje é dia de expurgar coisas, dia de tirar a poeira dos ombros e dizer tchau pra tudo que eu não fui. Tudo que eu escolhi não ser. Eu sei que acabei ficando num meio do caminho escroto (ou talvez o único possível???) sei que escolhi as crianças (mas que escolha real a gente faz com 23 anos????). Sei que escolhi direcionar minha energia na construção de um lar e sei que escolhi isso porque eu mesma não tive um. Sei também que no curto período onde fui SÓ pra isso, foi um caos. Ninguém me ouvia e eu não era nada... e aí eu voltei. E como foi bom voltar a ser doutora e ter uma resposta pra dar nos congressos. Como foi bom depois ter uma pesquisa pra quando perguntassem " e o que vc ta fazendo?" e como foi bom ser remunerada por isso. Mas aí isso também passou e agora eu fico olhando da janela tudo que eu não sou, tudo que eu não fui. Perdida ha 5 meses (isso é muito ou é razoável???) tentando engrenar uma nova rotina de produtividade, tentando voltar a dar conta da casa e dos meus filhos. Tentando voltar a ser alguém importante. Mas já não sou? Equilibrar todos os pratinhos de casa já nao me torna alguém importante???? Poder cuidar dos meus filhos? Acho que me falta alguma disciplina pra conseguir manter o foco. Me falta abraçar com carinho tudo que eu escolhi ser e deixar ir tudo que eu não fui nesse caminho. Eu queria te pedir desculpas por não valorizar tanto a sua carreira, mas como eu poderia fazer isso se construímos o principal?? Se estamos no nosso lugar onde estar em casa é finalmente bom? Eu sei que vc sente falta de um tantao de coisas, mas olha pro lado, essas pessoas tem filhos??? Nosso jogo é outro <3 Obrigada por nao desistir. Obrigada por não desanimar. Obrigada por abrir a janela na estrada e deixar o vento bagunçar o cabelo. Obrigada por esse caminho.
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